Pornografia na Quarentena

Bom, vamos começar este artigo definindo o que é pornografia:

  • Pornografia: substantivo feminino – Origem etimológica: porn(o)- + -grafia
    1. coleção de pinturas ou gravuras obscenas.
    2. característica do que fere o pudor (numa publicação, num filme etc.); obscenidade, indecência, licenciosidade.
    3. qualquer coisa feita com o intuito de ser pornográfico, de explorar o sexo tratado de maneira chula, como atrativo (p.ex., revistas, fotografias, filmes etc.).
    4. violação ao pudor, ao recato, à reserva, socialmente exigidos em matéria sexual; indecência, libertinagem, imoralidade.

Então quer dizer que estátua do David de Michelângelo é pornografia? Depende, se o intuito da obra na época que foi desenvolvida era ferir a moralidade, sim. Caso contrário, não.

Davi de Michelangelo

O que vemos aqui é que a pornografia tem relação direta com o tempo e a sociedade em que é produzida. Se você voltasse à Grécia antiga, corpos e esculturas com os “peitos de fora” não tinham conotação erótica sexual e representavam fertilidade e atributos da maternidade. 

Já no Japão atual, há uma cada vez mais popular forma de erotismo, o se fantasiar de boneca. Lá existem bares especializados nesse tipo de fetichismo. E fantasias desse tipo são verdadeiras febres eróticas nas lojas especializadas no assunto. 

Mas voltando pra nossa cultura, todos nós em algum momento já fomos expostos a pornografia, seja ela explícita ou em forma de softporn (pornografia não tão explicita) que cada vez mais se alastram pela web. A indústria pornográfica é um ramo muito lucrativo uma vez que seus clientes literalmente ficam viciados! E em época de quarentena ela se tornou mais atrativa ainda. 

Dados revelados pelo site PornHub, uma das principais plataformas de vídeos adultos do mundo, apontam que os acessos chegaram a crescer 28,9% no Brasil em relação à média diária, no último dia 29 de março. No índice mundial, o crescimento foi de 24,4%, segundo dados do próprio site. 

O que poderia explicar isso? O isolamento social está mexendo com a cabeça das pessoas? Ou era algo que já vinha acontecendo e só ficou mais frequente?Vamos discutir algumas possibilidades.  

Primeiramente, que em momentos de crise tendemos a voltar a agir de forma mais animalesca, mais instintiva. 

O sociólogo Richard Miskolci, relata que nesses momentos catastróficos apresentamos um comportamento que ele caracteriza como:

… uma necessidade de ser desejado, amado, confortado em tempos de incerteza e solidão que nos fragiliza e nos faz sentir mais vulneráveis, inclusive em termos afetivos. 

E aqui precisamos entender que crise – seja ela uma guerra, uma catástrofe ambiental ou uma epidemia – vai sempre despertar em nós os desejos mais primitivos. Nestes momentos vamos retroceder a fases mais iniciais da nossa vida. Nos quais os impulsos surgem e nossa capacidade de controlá-los diminui bruscamente. Na crise nosso corpo clama por prazer, comida e sono basicamente…

Quem nunca ouviu sobre os estupros causados pelos soldados após as batalhas. Atos que muitos nunca fizeram ou fariam de novo e que depois ficam como traumas que precisam de tratamento psicológico. 

De onde veio essa pulsão, esse desejo sexual que não foi controlado e acabou sendo expressado de forma tão violenta? Eles fizeram isso por pura maldade e perversidade ou existe algo mais? Por que este não é um comportamento comum a soldados fora das guerras? Justamente porque fora das crises nós aprendemos a sublimar nossos desejos, nossas pulsões. 

Aprendemos a não satisfazer todas a necessidades corporais. Controlamos o desejo alimentar, o sono entre outros impulsos do corpo. Também reconhecemos que ninguém pode tudo e nem tudo pode ser feito…

Isto acontece pois desenvolvemos um mecanismo que chamado sublimação. 

Para a psicanálise a sublimação é a capacidade de transformar nossos impulsos primordiais, nossos desejos mais instintivos e ligados basicamente a obtenção de prazer e sobrevivência imediata em capacidades mais desenvolvidas e que permitem a vida em sociedade.

Freud definiu sublimação como o processo de dar uma forma mais madura aos instintos sexuais transformando-os em atos de maior valor social. Ele diz em Um Mal Estar na Civilização, que a sublimação é:

[..] uma característica especialmente notável do desenvolvimento cultural; [esta] é o que possibilita que atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas ou ideológicas, desempenhem um papel tão importante.

Em outras palavras, dar uma vazão sublimada ao impulso sexual é o que possibilita nosso progresso enquanto sociedade. No caminho contrário temos a dominação pelos insistimos sexuais que leva a diminuição da capacidade criativa, científica e de raciocínio crítico. 

No tédio causado pelo estresse do confinamento social e da pandemia o consumo de pornografia é uma forma de aliviar essa energia acumulada. Porém, nossa sociedade já vinha sofrendo com uma baixa uma baixa capacidade de sublimação muito antes da crise do corona vírus. E agora, nesse momento de pandemia, fica mais difícil para indivíduo perceber que tipo de motivação o está levando a procurar a pornografia. É a necessidade de prazer como um adulto ou como uma criança? 

E a masturbação é a principal forma de manejar e alcançar este prazer.

Lembrando que masturbação é:

…a manipulação dos órgãos genitais com intuito de obtenção de prazer, visando ou não ao orgasmo.

Voltando a discutir sobre pornografia e a pandemia vemos que avaliando a sociedade atual, mesmo antes da epidemia de covid-19, nós já vínhamos desenvolvendo uma baixa capacidade de lidar com a frustração e aceitar os limites. Nossa capacidade de sublimar está cada vez menor. Não entendemos que limites são libertadores. 

Talvez isso seja uma parte difícil de compreender: “o limite é libertador”. O “não poder” abre novas possibilidades, ele desafia a nós mesmos a nos reinventarmos. 

Boa parte dessa não aceitação, esse estado de inadequação coletiva, vem da indústria capitalista que busca indivíduos socialmente frustrados em suas pulsões e que queiram satisfaze-las de forma rápida e instantânea. Elas dizem a todo momento, se conecte as suas necessidades, não importa quais sejam, e deem vazão a elas, não importando de que forma seja… 

Mas será que isso é benéfico para o indivíduo?

Neste ponto, a masturbação e o vício em pornografia são uma evidência clara disto: “você está em casa com muito tédio, seu celular pode te “satisfazer”, é só você acessar um conteúdo pornô e gozar…”. 

Mas não é um deleite integral e nunca será. Não há satisfação libidinal completa sem compartilhar o jogo erótico físico/sensorial com o outro. 

Embora alguns especialistas na área apresentem opiniões divergentes, para a maioria fica claro que o consumo de pornografia e a masturbação são uma manifestação infantil da pulsão sexual. 

Um adulto que tem como única forma de obtenção de gozo a masturbação é como se ele usasse chupeta/bico ainda na rua. Você estranharia muito ver um adulto de chupeta e de terno e gravata.

Isto ocorre pois esperamos que adultos consigam ter domínio próprio e lidar melhor com as frustrações e venham a manifestar sua sexualidade de forma plena em um relacionamento com intimidade, contato físico e troca de afetos.

Mas, como já falei antes, a crise que estamos vivendo faz com que voltemos a ter impulsos e desejos primitivos. 

Discutir isso agora seria parte de um processo de aprimoramento de nossas sexualidades. E também acredito que esta crise nos dá espaço para nos reinventarmos. Ela nos limitou em nosso ir e vir mas também nos permite entrar em contato com nosso eu de forma mais plena.

Bom, e para finalizar gostaria de deixar 3 pontos chaves para reflexão:

- Onde você tem passado a maior parte do seu tempo, no real ou no virtual? 

- Você é dominado pelos seus impulsos ou consegue controla-los? (sejam eles de comprar, comer, beber, masturbar-se, entre outros…). 

- Você está viciado em pornografia?

E lógico se você refletiu nestes pontos e acha que precisa evoluir em algum deles, te aconselho a fazer terapia com um bom psicologo/ psicanalista ou procurar ajuda psiquiátrica médica relevante.

Finalizando vou deixar como dica um vídeo aqui, muito legal, que fala sobre como a pornografia age no cérebro e o como esse vício não é nada diferente do vício em drogas, álcool ou outros tipos. Chama-se The Great Porn Experiment – Gary Wilson – entre no vídeo e ative a legenda em português.

Além disso gostaria muito que você lesse o artigo no blog da boitempo –  Sexo em Tempos de Coronavírus –  Slavoj Žižek – o link segue abaixo.

É isto, espero que vocês tenham curtido este assunto. Se você tiver alguma dúvida pode me enviar na caixa de contatos e podemos conversar mais sobre o assunto.

Me Amar É…

Esses dias me peguei refletindo sobre por que damos tanto errado no amor ao próximo? Por que tantos relacionamentos não dão certo? Por que parece que o amor das pessoas pelo próximo se acabou?

Uma das conclusões a que cheguei foi que não se pode dar aquilo que não se tem. Se eu não me amo eu não tenho condições de amar em plenitude ã alguém.

Dessa forma resolvi refletir sobre o amor baseando-me em uma linda música do grupo Legião Urbana – Monte Castelo. O compositor da letra, Renato Russo, se baseou em dois grandes textos sobre o amor. O primeiro foi um soneto de Luís de Camões(1524 – 1580), poeta português  que lemos abaixo:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
 
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Mas nesse momento vamos usar o texto da música do Legião Urbana que  popularizou este poema e o texto bíblico de 1 coríntios 13 para retratar o amor no sentido de amor próprio… Amor por si mesmo.

Eu separei alguns fragmentos que gostaria de discutir tendo em vista o amor citado na música como o ideal de amor próprio.

“O amor é bom, não quer o mal…” fazendo a releitura “O amor [próprio] é bom, não quer o mal [para si mesmo] … 

Quantas escolhas fazemos para nós mesmos que são péssimas. Algumas destas até são involuntárias, mas outras nós bem sentimos que não deveríamos ter feito, mas silenciamos essa voz de alerta e fazemos. 

Ao me amar de verdade eu tento escolher coisas boas para mim. Eu presto atenção em como me alimento, no tipo de bebida que ingiro e até mesmo no tipo de informação que eu busco. Quando eu me amo profundamente eu não me mantenho em relacionamentos abusivos e nem permito que outros tenham poder sobre mim de me machucar.

Amar a si mesmo em profundidade é querer o melhor para si e isso não tem nada a ver com egoísmo. Até porque o egoísta tem uma noção de amor próprio tão prejudicada que se vê tão destituído de valor que necessita que tudo e todos girem ao seu redor e ajam em sua função. E isso não é amor próprio verdadeiro.

O próximo trecho diz: “Não sente inveja…”. Quando eu me amo profundamente, quando meu valor próprio está preservado eu não tenho um olhar de desejo sobre o que o outro tem. O invejoso tem uma autoestima tão baixa que vive vendo valor nas coisas do outro e não nas que possui e por isso inveja a vida alheia. O invejoso que viver a vida do outro. Ele pode até conquistar as coisas invejadas, mas estas não lhe trarão satisfação pois ele não se sentirá completo com elas…

A múscia continuar: “[o amor próprio não] “…se envaidece…”.

Quando eu me amo em profundidade eu não enxergo valor naquilo que ostento. Eu não preciso ser uma árvore de natal cheia de joias, relógios, carros e outras coisas para mostrar aos outros meu valor, uma vez que meu valor está naquilo que sou. O amor próprio enxerga valor em qualidade intrínsecas e profundas como suas habilidades, seu caráter integro e “no que você é…”. 

E aqui é uma parte difícil, o que você é? Não estou falando de profissão, de papel social, de ser pai/mãe ou algo assim, mas o que você é quando deita e fica sozinho a noite no quarto no escuro? Essa pessoa que você vê ali é digna de amor? Você consegue amar ela? Se você nem reconhece quem é esta pessoa ou consegue amar ela, talvez seu amor próprio esteja bem prejudicado. 

Neste ponto, não sermos vaidosos, na sociedade capitalista atual talvez seja muito complicado. Tudo que ela faz é para quebrar nosso amor próprio e colocar valor naquilo que podemos compra, naquilo que nosso dinheiro pode adquirir. Quanto mais você tem, quanto mais você ostenta, quanto mais você compra, mais valor você tem para a indústria capitalista. Porém nesta mesma proporção seu valor próprio se esvai…

Estudos mostram que pessoas que postam muitos “selfs” nas redes sociais na verdade possuem baixa autoestima. Outras pesquisas demonstram que o excesso de valorização da aparência física e do corpo também está presente em pessoas com pouco amor próprio. 

Quando eu desenvolvo o amor próprio em quantidade suficiente eu não preciso me envaidecer. Mas isso não é justificativa para não se cuidar e não buscar ter um corpo saudável, não querer se vestir bem. Lembre-se é o excesso que marca o patológico, nem oito nem oitenta

O próximo trecho é:

“O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente…”

Aqui aproveito para fazer uma crítica aos “coaches” e “digital influencers”. É incrível como neles o discurso de “eu consegui…”, “eu me amo…”, “eu não desisti…”, “eu isso… eu aquilo…” é um constante. É a famosa meritocracia. Óbvio que existem exceções, mas quem se ama de verdade não precisa ficar dizendo isso aos quatros ventos. E nem dizer que é por causa do tanto que se ama que ele conquistou o que queria. O amor é silencioso, ele não faz escândalo.

Na nossa geração chega a ser comum um post de uma “self” no Instagram® com uma legenda: “eu me amo mais que tudo…”, “ser feliz é conquistar o que se quer…”, será? Será mesmo que uma pessoa que se ama precisa colocar isso para julgamento de outros com curtidas e likes? E aguardar que outros validem seu amor próprio.

O poeta já dizia, amor “é fogo que arde sem se ver…”, quando menos esperamos o amor próprio já está dando frutos. E nem percebemos pois estes nascem naturalmente e não são pendurados como enfeites de natal numa árvore…

Quando eu me amo de verdade eu não preciso ficar dizendo e nem repetindo isso…

A música continua e tem outras partes igualmente lindas. Mas para não prolongar muito eu vou me atentar ao trecho que finaliza a música e que abre o texto bíblico. Vamos ler na versão da Bíblia A Mensagem…

“Se eu falar com eloquência humana e com êxtase própria dos anjos e não tiver amor, não passarei do rangido de uma porta enferrujada. 1 Coríntios 13:1 - MSG

O seja, se eu tive um lindo discurso e ser encantador como a voz de um anjo, mas se não tiver amor eu nada sou…

Sem amor próprio eu nada sou… Por isto, talvez estejamos passando por tanto sofrimento mental nos dias atuais. Quem sabe seja por isso que tantas pessoas estejam entrando em depressão ou pensando em desistir da vida. Talvez seja por isso que vemos tantas pessoas que não conseguem demonstrar empatia e consideração. O amor de muitos está ausente pois o amor próprio se esfriou. Se não me amo não sou capaz de amar alguém.

Uma das causas disso, volto a dizer, é o capitalismo nos pisoteia em nosso amor próprio ditando o tipo de corpo, de roupa, de carro e de vida que temos que ter… E quando não alcançamos nos sentimos os piores. O capital vive de dizer que você está inadequado, que seu corpo está ruim, que você não atingiu um padrão satisfatório justamente para que você possa gastar dinheiro buscando valor no externo. Investindo nas aparências…

As redes sociais nos massacram diariamente com a vida “linda e cheia de felizes para sempre…” das pessoas. Nunca o ditado “a grama do vizinho sempre é mais verde” fez tanto sentido. Mas se a grama de esta mais verde é só você cuidar da sua que ela também vai ficar verde, do seu jeito, mas vai. 

E não podemos esquecer da religião tóxica que existe para dizer que “devemos pensar sempre nos outros”,  “sempre aceitar tudo que o outro nos faça” e até mesmo nos aconselham a permanecer “em relacionamentos abusivos que só nos destroem pois se você ama de verdade você tudo suporta…”. Tal teologia intoxicante é facilmente explicável uma vez que menos amor próprio menos pensamento crítico. Desse modo as pessoas são mais facilmente manipuláveis e se tornam mais vulneráveis ao controle dos lideres religiosos… Só que estes mesmos esquecem que na Bíblia está escrito em forma de regra de vida: “amar a si mesmo e ao próximo na mesma…”. Não está dizendo ame mais o outro e a você menos.

Vendo assim, nesse contexto amplo vivemos numa época na qual nunca foi tão difícil se amar. Mas a música Monte Castelo já dizia: “…Sem amor [próprio], eu nada seria…”.

Sem amor por mim mesmo eu nada sou… Vou repetir, sem amor por mim mesmo eu nada sou…

Por isto cuide: do seu corpo, da sua mente, do que você come, com quem você divide seus sentimentos e com quem você compartilha sua intimidade

Se ame mais pois sem amor você não é nada…

O Poder da Música no Combate ao Covid-19

Não duvide do refrão popular que indica que “quem canta seu males espanta”. 

Será q a música pode nos ajudar a enfrentar o corona vírus? 

Será q ela pode aumentar nossa imunidade? 

É possível que a música diminua nosso estresse nesse momento?

Quem não tem uma trilha sonora de filmes inesquecível? Ou aquele jingle de propaganda que nunca fez você esquecer de um produto? A música que marca seu relacionamento?

Os efeitos positivos de escutar música são conhecidos há muito tempo. 

Já na época dos grandes filósofos cantavam-se odes musicais para aliviar a tensão. Nas guerras empregavam-se certas canções ou hinos para desenvolver a coragem e a confiança nos soldados. Usavam-se tambores graves q impulsionavam o ritmo da marcha… 

Hoje já se tem comprovado que, com a repetição de partes musicais, podemos:

  • Aprender idiomas e fomentar a criatividade;
  • Tratar doenças neurológicas como, por exemplo, o mal de Alzheimer, o Parkinson e o autismo;
  • Melhorar certos transtornos emocionais: tais como a ansiedade, a tristeza, a baixa autoestima entre outros…

Um estudo conduzido por Robert Zatorre e Salimpoor Valorie, pesquisadores da Universidade de McGill, em Montreal, concluiu que o ato de escutar música pode dar prazer a partir da liberação rápida de dopamina. 

Esse estudo publicado na Nature Neuroscience, com jovens, de 19 e 24 anos, colocou oito voluntários ao som de suas músicas favoritas – do jazz ao tango –, enquanto avaliavam o nível de liberação de dopamina, atividade cerebral e frequências respiratórias e cardíacas. Além da alta taxa de liberação antecipada de dopamina, os voluntários apresentaram tremores de prazer durante o experimento.

Em um outro estudo foi constatado que pacientes colocados ouvir música enquanto estavam sob anestesia durante uma operação  cirúrgica ajudou a baixar os níveis de hormônios prejudiciais e o estresse operatório. 

Quem nunca ouviu falar de uma playlist pra hora de fazer amor? Uma seleção especial para dar aquele animo na corrida? Ou aquela musica que faz você dançar feliz da vida… O sertanejo “sofrência” que é “bão que só…”

Pesquisadores estão descobrindo o poder dos sons sobre o nosso cérebro – para o bem e para o mal – e usando melodias para o tratamento de doenças.

Alex Doman, coautor do livro Healing at the speed of sound (A cura com a velocidade do som, sem edição brasileira) conta como a música, o silêncio e o ruído têm papel importante no nosso humor, no desenvolvimento do cérebro e, por consequência, no nosso sistema imunológico. 

Na obra, eles ainda sugerem como usar a música em caráter medicinal. 

Há muitos estudos que associam a melhora de um paciente com os mais diversos problemas de saúde às terapias com música, especialmente às sessões em que o indivíduo escuta as músicas ou nas quais eles também poderiam manusear instrumentos. 

Os melhores resultados costumam ser relacionados ao estilo clássico. 

A Dra. Ana Maria Ferreira de Souza médica pediatra e pesquisadora do Grupo de Estudos da Dor da Divisão de Clínica Neurológica do HC da FMUSP realizou  pesquisa mostrando que, embora a explicação ainda não seja conhecida, a musicoterapia proporciona bem estar a uma pessoa e é eficaz como uma intervenção de apoio no tratamento de doenças.

Bem estar… Quem nessa época de pandemia não está precisando de se sentir bem e aliviado contra a enxurrada de informações tristes e o medo que nos assola?

De acordo com a pesquisa da Dra. Ana a música é capaz de influenciar o bem-estar de uma pessoa, diminuindo o stress, a ansiedade e até as dores após uma doença ou uma cirurgia.

Quando se trata de uma música que gostamos ou que é agradável, o corpo libera dopamina. A dopamina é o hormônio da alegria e um grande guerreiro no tratamento da tristeza e ansiedade. 

Nessa época de lives dos principais cantores, muitos pacientes tem reportado que se sentem felizes e que se distraem de suas preocupações. Alguns sentem que sua ansiedade diminui após uma sessão de musica em lives ou ouvir suas musicas preferidas… Ficandi em casa…

A música alivia o estresse, reduzindo os níveis de cortisol, substância responsável por essa irritação do dia a dia.

Ao ficarmos confinados em casa estamos produzindo o hormônio do estresse, o cortisol, que até tem uma função importante no nosso corpo. O problema que o acúmulo de cortisol pode causar insônia, aumento de peso, taquicardia e a pior coisa nos dias de hoje abaixar nossa imunidade.

A ciência reporta que pessoas ansiosas tem altos níveis de cortisol e que até mesmo na depressão esse hormônio está em doses alteradas.

Usar a música para abaixar os níveis de cortisol é uma solução prazerosa e super barata que está a disposição de todos. 

E não é só em hormônios que a música age. Pesquisadores japoneses observaram que a música pode aumentar a produção de linfócitos CD4 – soldados de defesa do sistema imunológico.  Eles submeteram camundongos a transplante cardíaco. 

Os animais foram divididos em grupos e todos foram submetidos a sessões de terapia com música. 

Cada grupo foi exposto a um estilo musical diferente – ópera, clássico e New Age – ou a algum som com uma única frequência, durante sete dias.

O Resultado?  Os ratos que foram expostos à música clássica ou à ópera tiveram maior sobrevida após o transplante do que os animais que ouviram New Age ou sons de frequência única na terapia. 

Ao longo do tempo, seu corpo pode aprender a reconhecer certos tipos de música (particularmente coro ou música clássica) como um incentivo para a imunidade, dando continuidade na melhora do seu sistema imunológico.

Uma explicação sobre o fato de a música clássica sempre se evidenciar  mais efetiva é que ela é composta por várias frequências sonoras advindas dos muitos instrumentos que compõem uma orquestra, por exemplo. Isto causaria uma estimulação modulada e intensa no cérebro causando maior efeito que uma música feita com um único instrumento e com poucos tons. 

A música acalma…

A capacidade de certos sons em diminuir as emoções negativas é extraordinária. 

Quando estamos irritados demais, aborrecidos ou de mau humor, um pouco de música é o melhor remédio, já que reduz os hormônios que causam o estresse e aumenta aqueles que provocam felicidade.

Dr. Ronny Enk, um perito em neurocognition no Instituto Max Planck, que liderou uma pesquisa sobre o efeito da música no estado emocional das pessoas, disse: “Achamos que o estado agradável que pode ser induzida pela música leva a mudanças fisiológicas especiais que eventualmente conduziriam ao estresse ou redução direta de atividade do sistema imune.

Um estudo feito pela Universidade de Drexel, nos Estados Unidos e divulgado em 2010 pela The Cochrane Library, por exemplo, observou que pacientes que respiravam com a ajuda de aparelhos apresentaram menos ansiedade e uma recuperação melhor quando ouviam alguma música do que aqueles que não entraram em contato com esse tipo de abordagem. 

Nesse mesmo ano, a Universidade de Tel Aviv, em Israel, concluiu um estudo mostrando que ouvir 30 minutos de Mozart todos os dias pode ajudar bebês prematuros a ganharem peso. Essa pesquisa foi publicada no periódico Pediatrics.